Autor: José Carlos Sobral“E depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas” (João 21:15-17)
Por que será que Jesus insistiu em perguntar por três vezes se Pedro o amava? Você já precisou perguntar três vezes seguida se alguém lhe ama? É natural que se fizer isso, a pessoa pode ficar chateada, e com razão, já que ela poderá pensar que você está duvidando da sinceridade dela.
Existe uma grande diferença nas intenções de Jesus com relação as nossas intenções. A bem da verdade, Jesus queria saber com qual tipo de amor Pedro o amava. E mesmo Pedro respondendo por duas vezes consecutivas que amava Jesus, o Mestre não aceitou as respostas anteriores de Pedro, porque eram expressões de um amor EMOCIONAL e INTELECTUAL apenas. Mais a frente vamos tentar compreender porque foi fundamental a terceira resposta de Pedro à Jesus.
O que Jesus queria extrair de Pedro era uma declaração de amor sem interesses, declaração de um amor divino, o amor ÁGAPE. Cristo não queria de Pedro apenas a declaração do amor fraternal que é necessário entre os homens, mas queria uma declaração de amor superior, que se origina na própria natureza de Deus, um amor que tudo espera e que tudo suporta. Por esse motivo Jesus insiste na pergunta: VOCÊ ME AMA?
Foi apenas na terceira vez que Pedro compreendeu o que Jesus queria dele. Aqui há uma importância muito relevante, tanto nas repetitivas perguntas de Jesus quanto nas repetitivas respostas de Pedro. Quando Jesus foi aprisionado na casa do Sumo-Sacerdote Caifás, por três vezes Pedro covardemente o negou, dizendo “NÃO O CONHEÇO” (Lucas 22.54-62). Apesar de arrependido, Pedro ainda sentia-se extremamente amargurado por ter agido daquela maneira, deixando uma mácula psicologicamente negativa na vida dele que poderia influir de forma perniciosa na missão reservada ao santo apóstolo. Então, naquele momento crítico, o Senhor Jesus operou fantasticamente com o psicológico de Pedro, dando-lhe o ânimo necessário para que o apóstolo continuasse no Caminho sem titubear mais. Havia a necessidade de Pedro contrabalancear suas negações anteriores com suas novas e mais sinceras afirmações, por isso a insistência do Senhor com ele. Pedro precisava voltar a acreditar em si mesmo e no seu amor verdadeiro por Cristo.
Já se passaram quase 2.000 anos, e Jesus continua fazendo a mesma pergunta: VOCE ME AMA? Se Jesus estiver fazendo essa pergunta para você, não resista à voz do Senhor, não negue a resposta que Ele deseja ouvir do teu coração.
Nos vs. 15 e 16, Pedro respondeu de acordo com a sua própria vontade, como um ser natural. Quando Pedro entristeceu-se (v.17), não foi por causa da insistência do Senhor Jesus em ficar lhe perguntando insistentemente sobre a mesma coisa como se tivesse duvidando. Foi porque Pedro percebeu que suas respostas não estavam vindo do coração e da alma. Na verdade, Pedro entristeceu-se consigo mesmo, porque estava respondendo da mesma maneira que a maioria das pessoas que já ouviram falar de Jesus faz. Muita gente afirma que ama a Jesus porque Ele foi pacífico, nunca fez mal a ninguém, foi bom companheiro, excelente professor, etc... Respostas assim, nada mais são do que um AMOR SUPERFICIAL, quando muito FRATERNAL.
Devemos entender que Deus não aceita um amor superficial, Ele não quer que o amemos e o sirvamos por interesse, mas com um AMOR VERDADEIRO.
Se Jesus tem lhe perguntado mais de uma vez: VOCE ME AMA?, é porque você ainda não tem respondido corretamente a Ele!
Somente o AMOR VERDADEIRO (Amor Ágape) nos leva a dar prioridade a vontade de Deus em nossa vida.
Somente o AMOR VERDADEIRO (Amor Ágape) nos conduz a um bom testemunho de vida cristã.